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Hemoce passa a realizar teste de genotipagem para pacientes com doença falciforme em todo o país

A técnica de genotipagem por microarranjos vai tornar as transfusões sanguíneas das pessoas com doença falciforme, que são regulares, mais seguras ...

10/07/2024 às 20h37
Por: Redação Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

A técnica de genotipagem por microarranjos vai tornar as transfusões sanguíneas das pessoas com doença falciforme, que são regulares, mais seguras

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), unidade Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), iniciou, neste mês de julho, um novo teste de genotipagem eritrocitária para pacientes com doença falciforme. A iniciativa vai atender pessoas com essa condição acompanhadas pelos hemocentros de todo o país. A testagem faz parte de uma parceria com o Ministério da Saúde para oferecer um estudo mais detalhado das características do sangue desses pacientes.

A técnica de genotipagem por microarranjos permite que pessoas com doença falciforme, que costumam realizar transfusão regularmente por conta da condição, possam ter uma transfusão mais segura. Aspectos além do tipo sanguíneo ABO são avaliados, como fenótipos de outros grupos sanguíneos e variações na sequência do DNA, permitindo uma melhor seleção de componentes para a transfusão, selecionando-se um doador com características sanguíneas mais semelhantes às do paciente. O procedimento auxilia ainda no gerenciamento de estoque de hemocomponentes dos hemocentros.

“O diferencial do teste é que consiste em uma avaliação minuciosa dos genes RHD e RHCE. Esses genes codificam algumas proteínas do grupo sanguíneo RH, como os antígenos D, c, C, e, E, que são expressos na superfície das hemácias (um componente do sangue). Pacientes com doença falciforme têm maior prevalência de formas variantes desses antígenos, além de terem maior propensão a formar anticorpos após transfusões sanguíneas. Com a informação obtida na genotipagem, é possível selecionar de forma mais segura o hemocomponente para o paciente, evitando reações transfusionais”, explica a médica hematologista do laboratório de imuno-hematologia do Hemoce, Claudia Mota.

O procedimento é feito sob demanda. Para solicitar o exame, os serviços que atendem pessoas com esta condição devem acessar o site do Hemoce, onde poderão obter o formulário de solicitação da genotipagem, a ser preenchido com os dados do paciente, as orientações de coleta e envio de amostras, além do e-mail do laboratório para esclarecimento de dúvidas. Quanto ao resultado, ele é enviado para o e-mail do serviço solicitante informado no formulário.

A nova testagem iniciou após os profissionais do Hemoce finalizarem um treinamento promovido pela empresa fornecedora dos kits de reagentes utilizados nos testes. Participaram do treinamento: biólogos, biomédicos e farmacêuticos com qualificação em biologia molecular. O farmacêutico Tiê Costa, responsável pela realização dos testes, comenta os avanços que a iniciativa traz para a instituição. “É sempre bom aprender novas técnicas, especialmente aquelas que não são disponíveis em muitos locais. Com essa inovação conseguiremos ajudar pacientes de todo o país”, afirma.

Doença Falciforme

A doença falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária causada por uma alteração genética que provoca má-formação nas hemácias (glóbulos vermelhos). “As células normais são arredondadas e maleáveis. Com as alterações, essas células passam a ter um formato de meia lua ou foice, impedindo a circulação de sangue e oxigênio para tecidos e órgãos, causando várias complicações”, explica a hematologista e coordenadora médica dos ambulatórios do Hemoce, Fernanda Benevides.

O diagnóstico da doença acontece por meio do teste do pezinho, realizado logo nos primeiros dias de vida das crianças. Outra forma é o exame de sangue eletroforese de hemoglobina, feito nos pequenos com mais de seis meses e em adultos. Quando a doença falciforme é identificada ainda na infância, os pacientes são encaminhados para o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), também da Rede Sesa. A partir dos 18 anos, o tratamento é realizado no Hemoce. Ambas as unidades são referências estaduais no tratamento da hemoglobinopatia hereditária.

O hemocentro conta, na capital cearense, com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais para o atendimento de pacientes com o diagnóstico. No Interior, o atendimento é realizado por meio dos hemocentros regionais, localizados nas cidades de Sobral, Crato, Quixadá, Iguatu e Juazeiro do Norte.

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